Violência deixa marcas além da agressão e é tema de simpósio na Câmara Municipal

Violência deixa marcas além da agressão e é tema de simpósio na Câmara Municipal

A violência nem sempre termina quando a agressão acaba. As consequências podem permanecer por muito tempo, afetando a saúde física e mental das vítimas, os vínculos familiares e até a participação social. Foi a partir dessa realidade que a Secretaria Municipal de Saúde realizou, nesta segunda-feira (14), o 1º Simpósio de Enfrentamento à Violência, na Câmara Municipal de Rio Bonito.

O encontro reuniu profissionais da saúde, segurança pública, vereadores e integrantes da rede de atendimento para discutir como identificar, registrar e enfrentar situações de violência. A proposta foi ampliar o olhar sobre um problema que, muitas vezes, permanece escondido dentro de casas, famílias e comunidades.

Durante as discussões, foram apresentados os impactos que a violência pode provocar no organismo e na saúde das vítimas, incluindo consequências físicas, emocionais e imunológicas. Também foram abordados os processos de exclusão e isolamento que podem atingir pessoas submetidas a situações de violência, mostrando que os efeitos ultrapassam o momento da agressão.

Quando a violência não aparece nos dados – Um dos pontos de destaque do simpósio foi a importância da notificação dos casos de violência. A enfermeira e coordenadora da Vigilância Epidemiológica, Jéssica Estrela, apresentou a relevância dos dados epidemiológicos para que o município consiga conhecer a dimensão do problema e planejar ações de enfrentamento.

Por meio do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), os casos atendidos pelos serviços de saúde podem ser registrados e transformados em dados que ajudam a orientar políticas públicas.

Quando um caso não é notificado, ele deixa de aparecer nas estatísticas. Na prática, isso significa que uma violência pode ter acontecido, uma vítima pode ter sido atendida, mas aquele caso não entra no retrato oficial do município.

Por isso, notificar também é uma forma de dar visibilidade à violência. Quanto mais preciso for o diagnóstico da realidade, maiores são as possibilidades de desenvolver ações adequadas de prevenção, proteção e atendimento.

Cada profissional tem um papel na rede de proteção – O enfrentamento à violência depende da atuação conjunta de diferentes profissionais. Na saúde, equipes estão entre as primeiras a identificar sinais de agressão, acolher vítimas e realizar as notificações necessárias.

A segurança pública também exerce papel fundamental. A guarda municipal Ingrid Belgues, integrante da Patrulha Maria da Penha, participou das discussões apresentando a experiência de atuação na proteção e acompanhamento de mulheres vítimas de violência. O guarda municipal Pereira também contribuiu com a perspectiva da Guarda Municipal no atendimento às ocorrências.

Na área de saúde mental, a psicóloga Liliane Ferreira e a coordenadora de Saúde Mental, Rosene Tinoco, destacaram a importância do acompanhamento especializado diante dos impactos psicológicos provocados pela violência.

O trabalho desses profissionais é essencial porque muitas vítimas não chegam aos serviços públicos dizendo que sofreram violência. Mudanças de comportamento, sinais físicos, sofrimento emocional e outras situações podem ser indicativos de que existe uma realidade que precisa ser investigada e acolhida.

Quem cuida também precisa estar preparado – O simpósio também abriu espaço para discutir as consequências enfrentadas pelos próprios profissionais que trabalham diretamente com situações de violência. O contato frequente com relatos de sofrimento, vulnerabilidade e agressões exige preparo técnico, equilíbrio emocional e uma rede de suporte.

A atuação baseada em evidências e a integração entre os setores foram apontadas como fundamentais para que as respostas às situações de violência sejam cada vez mais qualificadas.

Mediada por Vagner, a mesa de debates reforçou que nenhum setor consegue enfrentar o problema sozinho. Saúde, segurança pública, saúde mental, assistência e Poder Legislativo possuem responsabilidades diferentes, mas complementares.

O 1º Simpósio de Enfrentamento à Violência reforçou, assim, uma mensagem central: combater a violência também significa enxergá-la. Registrar os casos, ouvir as vítimas, reconhecer os sinais e preparar os profissionais são etapas fundamentais para transformar situações que muitas vezes permanecem silenciosas em ações concretas de proteção e prevenção.

Fotos: Isaque Teixeira

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