Com o objetivo de fortalecer a atuação integrada da rede de proteção à infância e adolescência, a Prefeitura de Rio Bonito promoveu um encontro intersetorial na manhã desta quinta-feira (31) com o tema “Alerta nas Redes: o que a rede de proteção precisa saber sobre desafios online”, voltado a profissionais da educação, saúde, segurança pública e assistência social. A palestra principal foi conduzida pela conselheira tutelar Angélica Bardason, que trouxe um panorama preocupante sobre os perigos da exposição infantil no ambiente digital.
Durante o evento, realizado para equipes diretivas e profissionais das áreas de saúde e educação, foram abordados temas como ciberbullying, uso excessivo e não supervisionado de telas, acesso a conteúdos nocivos conhecidos como “dark Google” e, principalmente, os impactos da auto violência praticada por crianças e adolescentes, muitas vezes motivada ou estimulada por desafios online e conteúdos de cunho sexual em redes sociais.
A promotora de Justiça da Infância e Adolescência, Dra. Juliana Gomes, ministrou a palestra “Dever da comunicação da violência contra a criança e o adolescente”, reforçando a responsabilidade dos profissionais da rede em notificar situações suspeitas ou confirmadas de violência por meio dos canais oficiais, como o SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) e orgãos sobresalentes como Conselho Tutelar, Polícia Militar, etc.
Também foi destacada a urgência de ações preventivas, especialmente diante de dados alarmantes: casos de automutilação, muitas vezes inconscientes, têm sido identificados em jovens de 10 a 39 anos, a maioria mulheres, após a averiguação hospitalar. Esses episódios, segundo os especialistas, têm aumentado com o avanço das redes sociais e a ausência de supervisão adequada.
O evento contou com a presença do vice-prefeito e secretário de Promoção Social, Carlos Magno, do secretário de Comunicação, Ricardo Abrahão, e do secretário de Esporte e Lazer, Tiago Bitesnik. A secretaria de Ordem Pública foi representada por Alexandra Barreto, , assim como a secretaria de Educação pela Rogéria Temer, e a representante da Secretaria de Saúde, Greise Magarão. A enfermeira Amanda Gérard, da equipe técnica da saúde, contribuiu com orientações específicas sobre o atendimento em casos de violência.
A rede de assistência social foi representada por Débora Lacerda, do SUAS, e por Soyane Sá, assistente social e membro do RT da saúde. O comissário Fernando, da 12ª Delegacia de Polícia, participou como representante da Polícia Civil, e o capitão Araújo representou o 35° Batalhão da Polícia Militar. Também estiveram presentes o presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, Balbino.
Escolas das redes municipal, estadual e privada foram convidadas a participar da formação, reconhecendo que a proteção à infância exige atuação conjunta e contínua. Durante o encontro, foi reforçada a importância da vigilância ativa dentro das escolas e unidades de saúde, com a documentação adequada e a obrigatoriedade de notificação dos casos. O projeto valoriza a articulação entre educação, saúde, cultura, esporte, segurança e assistência social, como pilares de uma política pública de proteção que responde aos desafios da era digital, ficando estabelecido a iniciativa de campanhas mais emergenciais e eficazes sobre o assunto.
“Precisamos cuidar da criança hoje para garantir que ela se torne, no futuro, um adulto saudável e integrado à sociedade”, destacou a conselheira Angélica Bardason.
Faça sua parte – Denunciar situações de violência contra crianças e adolescentes é um dever legal e um compromisso social que salva vidas. De acordo com a Lei nº 13.431/2017 e a Lei nº 14.344/2022, ambas em conformidade com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), qualquer pessoa que tenha conhecimento ou presencie atos de violência, negligência ou maus-tratos deve comunicar imediatamente o fato aos canais competentes, como o Conselho Tutelar, a autoridade policial, o Disque 100 ou outros serviços oficiais de recebimento de denúncias. A participação da sociedade é essencial para interromper situações de risco, assegurar a proteção integral das vítimas e fortalecer as redes de proteção. Proteger nossas crianças e adolescentes é uma responsabilidade coletiva e um dever previsto em lei, indispensável para a construção de uma comunidade mais segura, justa e humana.
Como denunciar– Casos de suspeita ou confirmação de violência contra crianças e adolescentes podem ser denunciados anonimamente pelos canais oficiais. O Disque 100 é um serviço nacional e gratuito, disponível 24 horas. O município também disponibiliza os contatos da Delegacia de Polícia (12ª DP) e do Conselho Tutelar de Rio Bonito, prontos para acolher e encaminhar as demandas de forma segura e responsável.
Texto: Aila
Fotos: Marcelo Gomes


