Encontro reuniu familiares de crianças atendidas com terapias na unidade e reforçou a importância de cuidar também de quem está na rotina diária do cuidado
Em meio à rotina de consultas, terapias e acompanhamentos, existe uma parte importante do cuidado que muitas vezes fica em segundo plano: quem cuida. Foi pensando nisso que o Centro de Reabilitação de Rio Bonito realizou, nesta quarta-feira (24), uma palestra voltada para mães e pais atípicos de crianças atendidas na unidade.
A atividade integra as ações do Setembro Amarelo, campanha dedicada à conscientização sobre saúde mental e prevenção do suicídio. Em 2026, a mobilização reforça a importância de iniciar conversas e criar espaços de escuta, acolhimento e apoio. O Ministério da Saúde destaca que conversar com alguém de confiança e buscar ajuda profissional são atitudes importantes diante de situações de sofrimento emocional.
No encontro, a proposta foi justamente abrir espaço para que os familiares pudessem falar, ouvir e compartilhar experiências. A atividade foi mediada pela psicóloga Emanuele Mouser e pelo neuropsicanalista Victor Silva, que conduziram a conversa com as famílias.
Cuidar de quem cuida – A iniciativa faz parte de uma visão que amplia o atendimento para além da criança em terapia. No Centro de Reabilitação, o projeto “Cuidar de quem cuida” busca criar momentos de acolhimento e atenção também para os familiares, reconhecendo que a rotina de quem acompanha uma criança com deficiência ou necessidades específicas pode envolver desafios emocionais, físicos e sociais.
O município tem ampliado as ações voltadas às pessoas com deficiência e suas famílias. O Centro de Reabilitação integra a Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência e oferece serviços de acompanhamento e reabilitação, além de concentrar iniciativas que facilitam o acesso a direitos e tratamentos. Entre os serviços recentemente incorporados está o exame BERA, disponibilizado pelo SUS para auxiliar no diagnóstico de alterações auditivas, especialmente importante para bebês e crianças pequenas.
A unidade também é responsável por serviços relacionados à inclusão. Desde março, por exemplo, Rio Bonito retomou no Centro de Reabilitação a emissão da Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (CIPTEA), documento que facilita o acesso a direitos e prioridades para pessoas com autismo.
Uma história de maternidade, desafios e acolhimento – Um dos momentos mais marcantes da palestra foi o relato de Ana Paula, mãe solo e atípica, que compartilhou com os participantes parte de sua trajetória ao lado do filho.
Ao falar sobre os desafios encontrados ao longo do caminho, Ana Paula também contou sobre a evolução do filho e sobre as transformações vividas pela família durante o processo de acompanhamento e terapias.
Além de falar sobre as dificuldades, ela destacou a importância de não enfrentar essa caminhada sozinha. Segundo Ana Paula, o acolhimento recebido pela equipe do Centro de Reabilitação foi fundamental durante sua trajetória como mãe.
O relato aproximou as famílias presentes e mostrou, na prática, que a rede de apoio pode fazer diferença não apenas no desenvolvimento da criança, mas também na vida de quem está ao seu lado diariamente.
Saúde mental também faz parte do cuidado – Para as famílias atípicas, a rotina pode envolver consultas, terapias, deslocamentos, mudanças na organização familiar e uma série de decisões relacionadas ao desenvolvimento e ao bem-estar dos filhos. Por isso, falar sobre saúde mental também significa reconhecer as necessidades de mães, pais e responsáveis.
A proposta do encontro realizado pelo Centro de Reabilitação acompanha uma orientação mais ampla de prevenção: criar ambientes onde as pessoas possam falar sobre o que sentem, sejam ouvidas sem julgamentos e encontrem caminhos para buscar ajuda quando necessário.
O Ministério da Saúde destaca que o sofrimento emocional deve ser levado a sério e que existem serviços públicos disponíveis para atendimento, como CAPS, Unidades Básicas de Saúde, UPA, SAMU e hospitais. O CVV também oferece apoio emocional gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia.
Em Rio Bonito, o encontro deixou uma mensagem simples, mas necessária: enquanto as famílias cuidam diariamente de seus filhos, elas também precisam encontrar espaços onde possam ser cuidadas, ouvidas e acolhidas.
Fotos: Marcelo Gomes


