Encontro na Câmara Municipal reuniu profissionais de diferentes áreas para discutir envelhecimento, autocuidado, alimentação, saúde emocional e cuidados paliativos
Envelhecer não é apenas contar os anos. É carregar histórias, experiências, perdas, mudanças e novas necessidades ao longo da vida. Com esse olhar, Rio Bonito realizou, no dia 2, o 1º Seminário sobre a Saúde do Idoso, na Câmara Municipal.
O encontro reuniu profissionais de diferentes áreas para discutir os desafios do envelhecimento e reforçar a importância de um atendimento que enxergue o idoso para além de suas condições clínicas. A proposta foi ampliar o olhar sobre o cuidado, considerando também a trajetória de vida, a autonomia, os aspectos emocionais e as necessidades individuais de cada paciente.
Participaram do seminário a assistente social Soyane Sá, a psicóloga e coordenadora da Saúde do Idoso, Ana Luísa Sá, a assistente social Helen Cristina, a psicóloga Ana Angélica, a fisioterapeuta Juliana e o médico geriatra Dr. Arquimedes.
Cuidado começa pela escuta – Entre os principais pontos abordados durante o seminário esteve a compreensão de que o envelhecimento não começa em uma data específica. Ele acontece ao longo do tempo e é marcado pela história e pelas experiências de cada indivíduo.
Nesse processo, a escuta foi destacada como uma ferramenta essencial para o cuidado. Ouvir o paciente significa também ajudá-lo a reconhecer suas próprias necessidades, compreender o autocuidado e participar das decisões relacionadas à sua saúde, sempre respeitando sua trajetória de vida.
A comunicação também precisa acompanhar a realidade de cada pessoa. Durante as discussões, foi ressaltado que parte da população idosa possui dificuldades de leitura ou não teve acesso à alfabetização, fazendo com que recursos como mensagens de áudio sejam importantes para facilitar o acesso às informações e aos serviços de saúde.
Compreender essas diferenças é fundamental para que o município consiga construir uma comunicação verdadeiramente acessível. Para cuidar do idoso, é preciso primeiro entender como aquela pessoa consegue receber, compreender e utilizar uma informação. Uma orientação escrita pode não alcançar todos da mesma maneira, enquanto um áudio, uma conversa presencial ou outra forma de comunicação pode fazer toda a diferença.
Esse olhar permite que as ações de saúde sejam planejadas de acordo com a realidade da população, reduzindo barreiras e garantindo que informações importantes sobre consultas, medicamentos, alimentação, prevenção e autocuidado cheguem de forma compreensível a quem precisa delas.
A discussão reforçou ainda que cada idoso apresenta uma realidade diferente e, por isso, o acompanhamento precisa considerar suas particularidades.
Alimentação e mudanças ao longo da vida – A alimentação também fez parte das discussões. A orientação nutricional na terceira idade precisa levar em conta a rotina e as condições específicas de cada paciente, acompanhando as transformações do organismo ao longo do envelhecimento.
Entre os aspectos discutidos estiveram também as alterações hormonais e outras mudanças que podem exigir adaptações na alimentação e no acompanhamento de saúde.
Saúde também envolve emoções e relações – O seminário ampliou a conversa para questões que fazem parte da vida do idoso e que nem sempre estão relacionadas diretamente a uma doença.
A aposentadoria, por exemplo, pode representar uma grande mudança na rotina e na forma como a pessoa se relaciona com seu cotidiano. As perdas e o luto também foram abordados como experiências que precisam ser acolhidas durante o processo de envelhecimento.
A proposta é que esses aspectos sejam considerados pelos profissionais para que o atendimento seja cada vez mais humanizado e atento às necessidades de cada pessoa.
Cuidados paliativos – Outro tema abordado foi a assistência aos pacientes que já apresentam condições de saúde mais sensíveis. Nesses casos, os cuidados paliativos podem fazer parte do acompanhamento, buscando oferecer conforto, qualidade de vida e respeito às necessidades do paciente e de sua família.
A discussão reforçou que cuidar não significa apenas tratar uma doença, mas também garantir dignidade, acolhimento e qualidade de vida em diferentes momentos da trajetória do paciente.
Trabalho integrado entre profissionais – Ao reunir profissionais de diferentes áreas, o seminário também teve como objetivo fortalecer a atuação multidisciplinar na Saúde do Idoso em Rio Bonito.
A proposta é alinhar a equipe sobre as diferentes trajetórias e necessidades dos idosos atendidos no município, fazendo com que os profissionais possam trabalhar de maneira integrada e oferecer orientações que sigam uma mesma linha de cuidado.
Mais do que discutir doenças ou tratamentos, o encontro reforçou a importância de enxergar cada idoso como uma pessoa com uma história própria, necessidades específicas e direito a um cuidado que respeite sua autonomia.
A realização do primeiro seminário representa, assim, um espaço de troca entre profissionais e de construção conjunta de estratégias para qualificar cada vez mais a atenção à população idosa de Rio Bonito.
Fotos: Arquivo Secretaria de Saúde


